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Depoimento
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Unidade 1 - Retrospectiva Histórica da Educação Especial
No ano passado eu trabalhei com uma turma de 2º ano do ensino fundamental de nove anos. A turma tinha 29 alunos, sendo que a aluna da foto tem hidrocefalia, dificuldade motora e leve atraso mental. Ela possui um dreno no couro cabeludo para retirar o liquido da cabeça, não consegue se locomover sozinha - usa botas especiais - e inspira cuidados, pois se cair pode machucar a cebeça e afetar o dreno. Cada vez que ela precisava ir ao banheiro, eu a conduzia pelo corredor e na hora do recreio ficava na sala dos professores comigo. Suas atividades eram feitas todas oralmente, ela consegue ler e soletra as letras para formar as palavras e frases. Diante de tanta dificuldade achei que se ela tivesse um computador, facilitaria sua escrita, sendo que ela faz tratamento na AACD e tem familiaridade com essa tecnologia. Sua famÃlia não tinha condições de adquirir um notbook, então eu fui tentar conseguir. Entrei em contato com o MEC, mas não obtive resposta e falando com alguns amigos sobre a aluna, um se sensibilizou e doou para ela um notbook. Eu digitava as atividades e ela fazia em aula. Como sua famÃlia não tem condições de ter internet, coloquei alguns jogos no computador para que ela, nas férias, treinasse para iniciar o ano com maior destreza.

Como eu estou trabalhando com 1º ano e ocupamos a sala da educação infantil, que fica num pátio a parte, isolado, não tenho contato com as crianças do 2º e 3º anos. Hoje (05/06/2009) as colegas estavam fazendo o conselho de classe e resolvi conversar com a professora desta aluna para saber como tinha sido sua avaliação. Para minha surpresa e indignação, minha colega colocou que como ela não quer escrever sua nota ficou em branco, que no inÃcio a aluna escrevia a data e agora não quer escrever. Fiz vários questionamentos:
- Se ela achava que a menina tinha preguiça?
- Ela disse que a menina tinha capacidade.
- Como era o deslocamento?
- A menina tem que andar e brincar com os outros e que nós não podemos diferenciá-la dos demais.
Resumindo, nós discutimos, a supervisora disse que a menina era especial e que tinha que ter um cuidado especial, mas que a professora iria aguardar o próximo trimestre para ver se houve um "crescimento", que a nota aqui não interessa e sim que a menina está incluÃda numa turma de ensino regular.
Essa colega não admite que a aluna é portadora de necessidades educacionais especiais e que tem que ser avaliada de uma maneira diferente, pois seu ritmo é bem mais lento do que de seus colegas.
Perguntei pelo notebook, mas ela saiu sem me responder.
Depoimento
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Comments (4)
Simone Ramminger said
at 11:42 pm on May 5, 2009
Solange eu ja tinha comentado essa postagem. Onde foi parar o comentário?
É interessante destacar a tua dedicação a esta aluna. Percebe-se que te envolves muito com ela. Fiquei curiosa para saber como é a interação dela com os demais colegas. Tiveste outros alunos portadores de necessidades especiais em outros anos?
Como é importante que o professor seja sensível e flexível para perceber as dificuldades dos alunos e fazer as mudanças necessárias no planejamento das aulas, quando tem um aluno com necessidade educacional especial em sua turma. Afinal incluir não é só receber esse aluno na sala junto com os demais, mas também fazer muitas adaptações necessárias para que esse aluno sinta-se parte da turma e aprenda. Parabéns pelo teu trabalho! Um abraço, Simone - Tutora sede EPNE
maurentezzari@... said
at 10:21 am on May 29, 2009
Olá Solange, e qual foi o resultado após as férias? Como ela está agora?Um abraço, Mauren
Simone Ramminger said
at 8:38 pm on Jun 5, 2009
Solange, imagino a tua indignação com essa professora, depois de todo o investimento que fizeste na menina... Ela disse que a menina não quer escrever por isso sua nota ficou em branco. E em relação a outras aprendizagens? Não houve avanços? Um abraço, Simone
Solange said
at 11:47 am on Jun 6, 2009
Olá, Simone!
Essa professora fez graduação na UFRGS e vive dizendo que ela "foi aluna presencial, por isso ela sabe mais e coisa e tal", mas na prática o que percebo é que ela coloca o conteúdo no quadro, o aluno copia, faz a prova e recebe uma nota. Quanto a aluna sua fala: "ela continua como o ano passado, le e me fala as coisas, mas não escreve". Na verdade dá trabalho fazer uma avaliação oral e talvez ela não queira ter todo esse trabalho. Não consigo imaginar outra explicação. Eu não fiquei satisfeita com o que vi e com certeza irei questionar, até que ela se dê conta de que deverá fazer uma avaliação diferenciada e ver se houve algum tipo de aprendizagem.
Um abraço, Solange.
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