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Estudo de Caso

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Introdução

 

A criança que farei o estudo de caso é aluna na escola onde trabalho.

Atualmente está frequentando o 2º ano do ensino fundamental de nove anos.

Quando foi minha aluna no ano passado (2º ano) fiz um trabalho de seriação/classificação e identifiquei que ela não conhecia cores, números e letras. Durante todo o ano disponibilizei figuras, material concreto, alfabeto móvel, etc.  e no final do ano ela continuava da mesma maneira.

 

Dados de Identificação

 

Aluna: N B N M

Idade: 9 anos

Família: Mãe e pai - conforme a fala da avó paterna - são deficientes mental e recebem um auxílio pela deficiência, são "encostados" pelo SUS e pedem esmolas no semáforo. A aluna tem um irmão com problemas de aprendizagem (ficou três anos na 1ª série). A mãe não consegue se expressar (dificuldade de fala) e o pai só ri quando é questionado, as coisas que fala não têm sentido. Segundo relato dos pais de outras crianças (vizinhos) os pais de N são usuários de drogas. Quando questionados, negam. Ambos são analfabetos.  A avó paterna é responsável pela família, mantendo-a financeiramente com um salário mínimo, porém não mora com eles. A situação socioeconômica é baixíssima. São extremamente pobres.

 

História de vida do aluno

 

A aluna entrou com 5 anos na escola. Frequentou o jardim nivel A e nível B.

No ano passado, após perceber que a aluna não conhecia as cores, números e letras, não conseguia escrever seu nome e estava repitindo o 2º ano fiz um parecer e a encaminhei para uma avaliação médica no NASCA (Núcleo de Atenção à Saúde da Criança e Adolescente). Foi marcada a consulta e sua mãe me disse que não tinha condições finaceiras de levá-la. A escola forneceu as fichas de ônibus. A mãe disse que quando chegou lá no Centro de Saúde Santa Marta eles haviam perdido os papéis e ela não pode consultar. Marcamos nova consulta e a escola forneceu as fichas para o transporte. Novamente sua mãe nos deu a desculpa de que não pode ser atendida. Eu pedi que a orientadora da escola acionasse o Conselho Tutelar, mas não houve retorno. O ano terminou e a menina está novamente repetindo o 2º ano.

Em uma das muitas conversas entre a sua primeira professora, a atual e eu, concluímos que a cada ano ela aprende uma nova letra.

Na primeira vez que frequentou o 2º ano ela conseguia escrever a letra N, na segunda vez conseguia escrever as letras N e A. Neste ano, terceira vez frequentando o 2º ano ela já escreve uma linha cheia de letras N, A e T. O detalhe é que ela escreve da direita para a esquerda. Enche todas as linhas da folha de seu caderno, diariamente, com essas três letras. Ainda não escreve nem reconhece os números e as cores.

 

Hoje (05/06/2009) conversando com sua atual professora fiquei sabendo que a menina foi à consulta no NASCA ontem para uma avaliação. Estamos aguardando o retorno.

 

A aluna esteve em atendimento no NASCA, levada pela avó, mas esta não soube explicar como foi a consulta. Foi marcada uma nova consulta, mas só que para a especialidade de dermatologia. Nós não entendemos o que aconteceu.

 

Comportamentos observáveis na escola

 

A aluna é muito introvertida, só responde aos professores e funcionários quando questionada. Ela não consegue comunicar-se direito, tem dificuldade na fala. Brinca na hora do recreio com uma colega que também é sua vizinha.

 

Não percebo nenhum movimento com relação à aprendizagem, à inclusão de fato (somente está inserida na turma, não acontece como no vídeo "A história de Peter" que há a interação com as outras crianças) e nem quanto a participação da família nesse processo.

 

Continuo aguardando o retorno do atendimento no NASCA ...

 

Avaliação

 

Em nenhum momento houve a tentativa de incluir a aluna no ambiente escolar. Sua avaliação é feita igualmente a de seus colegas.

 

As contradições encontradas explicam-se pela fala de Lenise Henz Caçula Pistóia:

 

"Poderão os alunos em situação de desvantagem valerem-se das estruturas de seu domínio linguístico, desde que estas se deem em  um ambiente desafiador e capaz de propiciar situações de reflexão participativa, apoiadas em um coletivo de educadores comprometidos com a efetivação de processos solidários que propiciem a construção do conhecimento por todos. As limitações a que estes alunos estão submetidos, podem ser desveladas no resgate do seu potencial criativo e, dessa forma, serem redimensionadas em diversificadas situações de aprendizagem recíproca entre os que supostamente ensinam e aqueles que aprendem. (...)".

 

A avaliação tanto da aluna, quanto dos alunos do segundo ano é feita através de parecer descritivo e se dá por trimestre. Essa avaliação não dá conta das possibilidades e competêtencias da aluna observada neste estudo de caso, pois como já havia dito anteriormente, sua avaliação não é feita de maneira diferente das demais crianças.

 

Conclusão

 

"Educar na diversidade pressupõe a adoção de um modelo de currículo que facilite a aprendizagem de todos os alunos e alunas em sua diversidade" (PISTÓIA).

 

Este estudo de caso veio reforçar o que eu já havia observado. Inúmeras crianças repetindo vários anos as séries, sem promoção, pois não há movimentos por parte da escola e nem por parte da maioria dos professores para a inclusão. É necessário que haja uma mudança e que comece pelo Projeto Político Pedagógico da escola, como bem coloca Pistóia: "A possibilidade de ensinar a todos os alunos, sem discriminações e sem métodos ou práticas de ensino especializados, deriva de uma reestruturação do projeto pedagógico como um todo e das reformulações que esse projeto exige da escola".

 

"A neve e as tempestades matam as flores, mas nada podem contra as sementes" Khalil Gibran

 

As sementes estão sendo lançadas a partir de reflexões possíveis através da teoria disponibilizada com os estudos de uma interdisciplina como esta: Educação de Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais.

 

Referências Bibliográficas

 

PISTÓIA, Lenise Henz Caçula. A rede de interações como concepção pedagógica: Alternativas no espaço da sala de aula com alunos em situação de desvantagem.

 

______________. Diversidade e currículo.

Comments (10)

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Simone Ramminger said

at 2:30 pm on May 16, 2009

Solange vejo que ja escolheste e registraste o sujeito do teu estudo de caso. Portanto, ja iniciaste a atividade da unidade 4. Podes registrar ainda a profissão dos pais, condições socioeconômicas da família, onde eles moram... assim que fores descobrindo mais informações, vai acrescentando aqui. Um abraço, Simone - Tutora

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maurentezzari@... said

at 10:32 am on May 29, 2009

Olá Solange, em nossas escolas há muitos alunos nessa situação: aprendem muito pouco, não possuem atendimentos na área da saúde. No caso dessa aluna do teu estudo de caso, parece uqe um dos motivos é o fato da família não levar quando é marcado. Uma ação importante são esses momentos de discussão de entre professoras da aluna. O que mais podes escrever sobre a história dessa aluna e sua família? Se tiveres alguma dúvida para a continuidade do estudo de caso, entra em contato conosco, evitando assim o acúmulo das tarefas. Um abraço, Mauren

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Simone Ramminger said

at 7:52 pm on Jun 5, 2009

Olá Solange!
Observei que procuraste preservar a identidade da aluna, isso é importante.
Em relação aos pais da menina, referes "Parecem ser usuários de drogas". O que te levou a pensar isso? Sabes se eles são alfabetizados? É a avó paterna que sustenta a família? Quando a menina começou a frequentar a escola? Seria interessante se conseguisses conversar com os pais e saber mais detalhes sobre a história da menina.
Vamos aguardar notícias sobre a consulta.
Um abraço, Simone - Tutora sede EPNE

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Solange said

at 8:58 pm on Jun 5, 2009

Olá, Simone!
São os vizinhos que afirmam (pais de colegas da aluna) que os pais da aluna são usuários de drogas.
Um abraço, Solange.

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Simone Ramminger said

at 7:41 pm on Jun 23, 2009

Solange vejo que acrescentaste mais informações sobre a menina N. no teu estudo de caso. Os pais dela não trabalham? Sabes o que a avó paterna faz para sustentar toda a família? Ela mora com eles? Tu acredita que essas dificuldades da menina tem alguma relação com a família, com o fato de os pais serem analfabetos, usuários de drogas...? Chama a atenção que o irmão também tem dificuldades de aprendizagem.
No texto "Deficiência Mental e Família: Implicações para o Desenvolvimento da Criança", Silva e Dessen falam sobre a importância do ambiente e da cultura para o desenvolvimento da criança: " A gama de interações e relações desenvolvidas entre os membros familiares mostra que o desenvolvimento do indivíduo não pode ser isolado do desenvolvimento da família (Dessen & Lewis, 1998)".
Quem levou a menina para consulta no NASCA? É muito importante que essa aluna tenha acompanhamento de profissionais especializados em turno inverso ao da escola.
Como fizeste a avaliação desta aluna no ano passado? Que outras relações podes estabelecer entre os textos da unidade 7 com a avaliação dos alunos com necessidades educacionais especiais?
Um abraço, Simone - Tutora sede EPNE

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Solange said

at 10:10 pm on Jul 1, 2009

Olá, Simone!
Como eu estava com a mão machucada, fiquei duas semanas em casa e só hoje retomei com minha colega sobre a aluna do referido estudo. Vou complementar o texto com os questionamentos que fizeste.
Um abraço, Solange.

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Solange said

at 10:35 pm on Jul 1, 2009

Simone! Vou investigar sobre o atendimento no NASCA e completo o estudo amanhã.
Um abraço, Solange.

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Simone Ramminger said

at 11:18 pm on Jul 1, 2009

Ótimo Solange!! Aguardamos mais informações até o dia 03/07/09!
Qualquer dúvida, faça contato.
Um abraço, Simone - Tutora sede

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Solange said

at 5:37 pm on Jul 2, 2009

Olá, Simone!
Hoje eu liguei para o NASCA e falei diretamente com a pessoa encarregada pelos agendamentos da nossa escola. Me disse que se a menina tinha sido encaminhada para o dermatologista é porque necessitava, mas não me disse o motivo. A aluna esteve em consulta no dia 25/05, mas eu devo aguardar mais uns dias para saber mais detalhes da consulta, pois ainda está na rede os papéis da mesma.
Um abraço, Solange.

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Simone Ramminger said

at 11:35 pm on Jul 9, 2009

Ok Solange! Observei que fizeste a postagem da atividade 7.
No texto “A rede de interações como concepção pedagógica” Pistóia referindo-se a inclusão de pessoas com necessidades educativas especiais salienta a necessidade de “ações que levem em consideração a constituição de uma rede de apoio que, também, depende de um intenso investimento nas políticas públicas de educação e saúde capazes de superar muitas das dificuldades básicas no atendimento de alunos com necessidades educativas especiais.” Além disto, reforça a necessidade “do prosseguimento da formação continuada em serviço, que dentre inúmeras finalidades permite ao professor aprender a lidar com classes heterogêneas, com conteúdos curriculares diferenciados e adaptados, utilizando estratégias de ensino, de acordo com as necessidades específicas destes alunos. Neste processo, compete ao professor envolver-se e procurar conhecer profundamente o seu aluno. Este é um ponto crucial, pois a partir deste conhecimento mútuo surgirão novas possibilidades de ação baseadas em relacionamentos mais cuidadosos e consistentes.”
Poderias ter desenvolvido um pouco mais teu estudo de caso, bem como as conclusões, fazendo relações com os materiais lidos e vistos ao longo do semestre.
As atividades solicitadas para o dossiê foram todas postadas. Parabéns!
Um abraço, Simone - Tutora sede EPNE

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